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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Fundo do Mar

No fundo do mar há brancos pavores, 
Onde as plantas são animais
E os animais são flores

Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas,
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo - marinho.
Um polvo avança
No desalinho
dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.

Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.

Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.



Sophia de Mello Breyner Andresen
Obra Poética I
Caminho

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